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	<description>Revista Digital de Cultura Pop Japonesa</description>
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		<title>Persona 4 e os Arcanos do Tarot</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 02:46:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Akahon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Atlus]]></category>
		<category><![CDATA[Cartomancia]]></category>
		<category><![CDATA[Persona 4]]></category>
		<category><![CDATA[Tarot]]></category>

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		<description><![CDATA[Persona, cartomancia e laços sociais Persona é uma série de jogos de RPG da Atlus, bastante conhecida pela trama sombria envolvendo adolescentes (com exceção de Persona 2: Eternal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Persona, cartomancia e laços sociais</h3>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/velvetroom.jpg" alt="Velvet Room" title="Velvet Room" width="350" height="263" class="alignleft size-full wp-image-11" /><strong>Persona</strong> é uma série de jogos de RPG da <a target="Blank" href="http://www.atlus.com/">Atlus</a>, bastante conhecida pela trama sombria envolvendo adolescentes (com exceção de <strong>Persona 2: Eternal Punishment</strong>, onde a trama é em torno de protagonistas adultos) e suas crises existenciais e psicológicas.</p>
<p>Neste artigo, busco mostrar a relação de <strong>Persona 4 </strong>com os Arcanos do Tarot, explicando o que é a Jornada do Louco e exemplificando os atributos de algumas cartas com os personagens principais.</p>
<h3>Seja bem vindo à Velvet Room</h3>
<p>Ao abordar a psique humana, Persona baseia-se em conceitos da psicologia, mitologia e principalmente da cartomancia; com a ilustre presença de <strong><a href="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/igor2.jpg">Igor</a></strong>, um <strong>cartomante narigudo</strong> que se encontra em uma sala azul, chamada Velvet Room, presente em todos os jogos da franquia. Igor é quem guia o jovem protagonista, orientando-lhe <strong>como usar seu Persona</strong> e a importância de estabelecer laços sociais.</p>
<p>Até o game Persona 2 a interação do protagonista era principalmente com demônios, os quais eram representados por um arquétipo do Tarot. Com o lançamento de <strong>Persona 3</strong> houveram mudanças drásticas no sistema de jogo, conferindo ao mesmo características de um <strong>simulador de romances</strong> orientado à rotina estudantil do protagonista. O jogador vivencia o dia-a-dia do protagonista e constrói <strong>laços de amizade</strong> com outros personagens, e não mais com os demônios como ocorria nos jogos anteriores. </p>
<p>Em Persona 3 e 4, cada personagem (e não apenas os principais) é representado por uma carta do Tarot. Interessante observar que a representação não é aleatória. Muitos atributos, características de personalidade, são decorrentes do arquétipo que os Arcanos Maiores têm dentro do Tarot. Será por meio de uma análise dos personagens de Persona 4 que gostaria de expor essa relação.</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/grafico.jpg" alt="Os arcanos de Persona 4" title="Os arcanos de Persona 4" width="571" height="501" class="aligncenter size-full wp-image-13" /></p>
<h3>Um pouco sobre o Tarot</h3>
<p>Primeiro gostaria de explicar brevemente do que se trata a <strong>jornada do Louco</strong> dentro do Tarot. Ao todo existem <strong>22 Arcanos Maiores</strong> onde cada um representa um pedaço da nossa <strong>personalidade</strong>, ou melhor, de um determinado momento de nossas vidas. </p>
<p><strong>O Louco</strong> é a primeira carta do Tarot, enquanto <strong>O Mundo</strong> é a última carta. O Louco representa o número zero, o começo; e o Mundo o número 21, a meta a ser atingida, o destino final. Como exposto no diagrama acima, esses dois Arcanos representam o protagonista de Persona 4.</p>
<p>No início da sua jornada, o Louco ainda é uma criança que caminha sem um propósito claro. Ele ainda não sabe lidar com seu próprio mundo interior e com as situações adversas da vida. Seu amadurecimento é adquirido na medida em que se depara e interage com os outros 21 Arcanos Maiores, cada um deles proporcionando-lhe uma lição de moral, o conhecimento inerente da sua própria carta.</p>
<p>O Arcano do Louco absorve para si todo o conhecimento dos outros Arcanos do Tarot. Isso explica por que o protagonista é o único que invoca personas de todos os tipos. Para fortalecer e atingir níveis diferentes de poder, ele precisa se relacionar com as outras pessoas e, ao vivenciar novas experiências com elas, se apaixona, enxerga novos pontos de vista e constrói seu caráter. Em troca, o protagonista ganha a confiança do outro Arcano e este irá protegê-lo em batalha.</p>
<p>Ao alcançar o ponto mais alto da sua jornada, percorrido então todos os Arcanos Maiores, transparece a carta do Mundo, a representação da pessoa realizada, o fim da jornada do Louco. Significa dizer que o Protagonista atingiu sua totalidade, definiu seu caráter, aprendeu a ter discernimento e deixou de ser uma criança inocente no mundo.</p>
<p>Em suma, vale dizer que a Jornada do Louco é uma metáfora da vida, das experiências que vivenciamos e do conhecimento que adquirimos ao enfrentar essa jornada. Em Persona 4 a interação está em descobrir pessoas, suas histórias e problemas pessoais, além de acompanhá-las na resolução de seus conflitos. A união dessa lenda do tarot parece se encaixar perfeitamente no sistema de jogo de Persona 4, tornando um game diferenciado de RPG misturado com o gênero de jogos simuladores da vida real.</p>
<hr />
<h2>Laços são o verdadeiro poder</h2>
<p>Como dito anteriormente, o protagonista da série amadurece e se torna mais forte a medida que se relaciona com outros personagens. Vamos descrever algumas características do tarot associadas com esses personagens de Persona 4. </p>
<p><strong>&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt; Atenção: contém spoilers.&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;&lt;</strong></p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/yosuke.jpg" alt="Yosuke Hanamura" title="Yosuke Hanamura" width="195" height="266" class="alignleft size-full wp-image-17" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/yosuke-title.jpg" alt="Yosuke Hanamura" title="Yosuke Hanamura" width="353" height="72" class="alignnone size-full wp-image-18" /><br />
O Mago representa a juventude, a ação e o impulso criativo. É o Arcano de número 1 do Tarot e por isso também indica o início da Jornada do Louco. Yosuke é o primeiro laço de amizade do Protagonista e possui personalidade típica de um adolescente extrovertido e brincalhão. Nascido na cidade grande, O Mago dentro de Yosuke procura por algo mais emocionante em Inaba, a fim de poder exibir suas habilidades e ser reconhecido como um herói.</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/chie.jpg" alt="Chie Satonaka" title="Chie Satonaka" width="200" height="266" class="alignright size-full wp-image-20" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/chie-title.jpg" alt="Chie Satonaka" title="Chie Satonaka" width="352" height="72" class="alignnone size-full wp-image-21" /><br />
O Carro é o sétimo Arcano Maior do tarot e indica movimento e controle sobre determinada situação. Chie Satonaka expressa essas qualidades com seu temperamento otimista, ativo e protetor, sobretudo com sua amiga Yukiko. Porém seu lado negativo também impera quando Chie percebe que sente ciúmes da beleza de Yukiko, procurando não apenas protegê-la, mas também se afirmar superior a ela; principalmente porque Chie dá conta de realizar o que quer sozinha enquanto Yukiko sempre precisa de ajuda.  </p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/yukiko.jpg" alt="Yukiko Amagi" title="Yukiko Amagi" width="200" height="266" class="alignleft size-full wp-image-22" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/yukiko-title.jpg" alt="Yukiko Amagi" title="Yukiko Amagi" width="353" height="72" class="alignnone size-full wp-image-23" /><br />
A Sacerdotisa é o segundo Arcano Maior que representa o conhecimento adquirido pela intuição feminina e a passividade. Yukiko é uma sacerdotisa culta, inteligente e de família nobre. É extremamente reservada e introvertida, mas sua bela aparência atrai olhares e admiração dos rapazes, os quais ela inconscientemente rejeita. A princípio parece resignada nos afazeres domésticos mas no decorrer da trama mostra estar infeliz em ter sua vida decidida pelos outros e decide mudar isso.</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/kanji.jpg" alt="Kanji Tatsumi" title="Kanji Tatsumi" width="200" height="266" class="alignright size-full wp-image-24" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/kanji-title.jpg" alt="Kanji Tatsumi" title="Kanji Tatsumi" width="352" height="72" class="alignnone size-full wp-image-25" /><br />
Kanji Tatsumi possui todos os atributos de um imperador: é macho, forte e capaz de acabar sozinho com uma gangue barulhenta de motoqueiros, só para que sua mãe possa ter uma boa noite de sono. Porém Kanji ainda se pergunta o que é ser um verdadeiro homem. A rígida educação do seu pai confronta com as habilidades femininas que Kanji possui, tais como costurar. Por gostar dessas coisas Kanji se sente envergonhado. Mesmo assim, ele não sabe lidar com as mulheres e sempre é visto como um deliquente por elas, deixando-o mais irritado com o sexo oposto.</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/rise.jpg" alt="Rise Kujikawa" title="Rise Kujikawa" width="200" height="266" class="alignleft size-full wp-image-26" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/rise-title.jpg" alt="Rise Kujikawa" title="Rise Kujikawa" width="352" height="72" class="alignnone size-full wp-image-27" /><br />
Os Enamorados em Rise reflete sua dúvida sobre seu verdadeiro eu e indecisão sobre ser ou não uma idol. Cansada de ter que atuar e ser taxada como um produto, ela decide largar sua carreira e ir morar em Inaba. Porém ela ainda pensa em voltar atrás. Os enamorados também indica o amor, Rise possui charme e sabe lidar com rapazes, tirar proveito de sua sensualidade, flertar e ser um tanto provocativa. É o Arcano que indica relacionamentos amorosos e indecisão sobre qual caminho percorrer.</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/naoto.jpg" alt="Naoto Shirogane" title="Naoto Shirogane" width="200" height="266" class="alignright size-full wp-image-28" /><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/naoto-title.jpg" alt="Naoto Shirogane" title="Naoto Shirogane" width="352" height="72" class="alignnone size-full wp-image-29" /><br />
A Roda da Fortuna indica oportunidade e surpresas. A personalidade observadora de Naoto mostra bem isso: como aspirante a detetive, ela sabe tirar proveito dos fatos que surgem para resolver um mistério. Ela não gosta de ser vista como criança ou mulher, devido aos preconceitos existentes no meio policial. Por isso força a si mesma a ter maturidade e parecer um homem. Esse é o lado negativo da Fortuna, forçar as mudanças e especular demais sobre as coisas.</p>
<hr />
<h2>Considerações Finais</h2>
<p>Procurei descrever os principais personagens, com exceção do Teddie/Kuma, para evitar spoilers. Além destes, há mais 15 personagens no jogo para serem desvendados. </p>
<p>A relação com o tarot é bem visível no jogo, porém, por falta de informação do próprio jogo ou mesmo preconceito com o tema, as pessoas não sabem que a relação não é apenas na “aparência” mas também em todo conceito e concebimento das histórias dos personagens. Assim espero que, mesmo resumidamente, possa ter dado alguma clareza sobre o assunto.</p>
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		<title>A despedida de Satoshi Kon</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Oct 2010 14:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Akahon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[PREFÁCIO A carta a seguir foi publicada originalmente no KON’STONE; o blog oficial de Satoshi Kon, em 25 de agosto de 2010, um dia após sua morte, aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2012/04/satoshi-kon-500x353.jpg" alt="Satoshi Kon" title="Satoshi Kon" width="500" height="353" class="aligncenter size-full wp-image-53" /></p>
<h3><span style="color: #333333;">PREFÁCIO</span></h3>
<p>A carta a seguir foi publicada originalmente no <a href="http://konstone.s-kon.net/modules/notebook/archives/565" target="blank">KON’STONE</a>; o blog oficial de Satoshi Kon, em 25 de agosto de 2010, um dia após sua morte, aos 46 anos.</p>
<p>Trata-se da carta de despedida que Satoshi Kon escreveu pouco antes de morrer. Seus parentes então publicaram uma versão digital, em seu blog. Este era provavelmente o desejo do mestre japonês, que, ao que parece, vencera nos últimos momentos a timidez que lhe acompanhara por toda a vida, escrevendo uma carta claramente endereçada a todo o público, à humanidade, além de seus parentes, conhecidos e amigos próximos.</p>
<p>Já no dia seguinte, em 26 de agosto, Makiko Itoh publicou uma <a href="http://makikoitoh.com/journal/satoshi-kons-last-words" target="blank">versão traduzida para o inglês</a> em seu blog pessoal, <a href="http://makikoitoh.com/" target="blank">makiko itoh : not a nameless cat</a>. Com base na tradução inglesa de Itoh, outros sites passaram a disponibilizar versões locais da carta, em alemão, francês, hebraico, italiano, espanhol e russo. No presente momento, até onde sabemos, o público lusófono ainda não havia recebido a sua versão. É para preencher essa lacuna que Akahon, por meio dos esforços de seu ex-colaborador, Fernando Baptista Leite, decidiu verter a carta do inglês para o português, com algumas adaptações.</p>
<p>A carta é densamente carregada de emoção e tristeza, mas também de grandes lições. O estilo da escrita é caracteristicamente errante, como bem definiu Makiko Itoh, não possuindo uma progressão linear, clara e limpa – atributos típicos de versões revisadas. Por óbvio, Kon não dispunha do tempo e das forças necessárias para revisar e depurar a carta, atribuindo-lhe o polimento típico dos textos oficiais. Mas é por isso mesmo que se trata de um objeto de relevância especial: temos em mãos os sentimentos e pensamentos crus, em estado original, de um dos maiores diretores de anime de todos os tempos.</p>
<p>Assim, cá está um documento que nos permite acessar diretamente o espírito de uma pessoa extraordinária, sem aquela blindagem dos documentos formais, quando o escritor, sentindo a influência da expectativa social, procura amenizar o tom e mesmo a ocultar certas opiniões e sentimentos, colocando na obscuridade parte de sua personalidade. Não é o caso desta carta. Assim, pedimos que o leitor busque lê-la até o fim.</p>
<p>Agradecemos a Makiko Itoh pelo esforço que permitiu o resto do mundo ter acesso às últimas palavras de Satoshi Kon, e com elas aprender uma grande lição de humanidade.</p>
<hr />
<h3>Sayonara (Adeus)</h3>
<p><span><br />
Como eu poderia esquecer, o dezoito de maio deste ano.</span></p>
<p>Recebi o seguinte pronunciamento de um cardiologista no hospital Musashino:</p>
<p><em>“São os estágios avançados de câncer pancreático. Metástase em vários ossos. Você tem no máximo meio ano de vida.”</em></p>
<p>Minha mulher e eu escutamos juntos. Foi um destino tão inesperado e inadmissível que mal podíamos aceitar.</p>
<p>Eu costumava honestamente pensar <em>“nada posso fazer se morrer qualquer dia desses”</em>. Ainda assim, foi tão súbito.<br />
<a name="nota1"></a><a name="nota2"></a><br />
Para ser exato, houve alguns sinais. Dois a três meses antes disso, tive fortes dores em vários locais em minhas costas e nas juntas de minhas pernas; havia perdido força em minha perna direita e achado difícil andar, e estive indo num acupunturista e num quiroprático, mas não estava obtendo qualquer melhora.  Então, depois de ser examinado em uma RM <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[1]</a>, um PET-CT <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[2]</a> e em tais maquinarias avançadas, veio o súbito aviso do tempo que me restava.</p>
<p>Foi como se a morte posicionara-se logo atrás de mim antes que eu soubesse, e não havia nada que eu pudesse fazer.</p>
<p>Depois do aviso, minha mulher e eu pesquisamos jeitos de prolongar minha vida. Era literalmente uma questão de vida ou morte. Recebemos o apoio de fiéis amigos e caros aliados. Rejeitei a medicação contra o câncer, e tentei viver com uma visão de mundo ligeiramente diferente da norma. O fato de ter rejeitado o que era “esperado”, “normal”; parecia algo precisamente típico de mim.</p>
<p>Eu realmente nunca senti pertencer à maioria. Era o mesmo com os cuidados médicos, como qualquer outra coisa. <em>“Por que não tentar viver de acordo com meus princípios!”</em> Entretanto, como é o caso de quando estou tentando criar uma obra [um filme], a vontade sozinha não basta. A doença continuou progredindo dia após dia.</p>
<p>Por outro lado, como um membro da sociedade, realmente aceito pelo menos metade do que a sociedade geral toma como certo. Eu pago impostos. Estou longe de ser um cidadão-modelo, mas sou um membro pleno da sociedade japonesa. Então, afora as coisas que precisava fazer para prolongar minha vida do meu próprio ponto de vista, também tentei fazer todas as coisas necessárias para <em>“estar pronto para morrer apropriadamente”</em>. Ainda que não pense que tenha conseguido fazê-las todas. Mas uma das coisas que fiz foi, com a cooperação de dois amigos, nos quais podia confiar, estabelecer uma companhia para cuidar de coisas como o punhado de direitos autorais que possuo. Outra coisa que fiz foi escrever um testamento para assegurar que minha mulher assumisse qualquer um dos bens modestos que tive. É claro, não pensei que haveria qualquer disputa em torno do meu legado ou coisa do tipo, mas queria assegurar-me de que minha mulher, que permaneceria neste mundo, não teria nada com que se preocupar – e, aliás, eu queria remover qualquer ansiedade de mim mesmo, aquele que faria uma pequena excursão no além, antes de ter de partir.</p>
<p>A papelada e a pesquisa necessárias para essas tarefas, nas quais nem minha mulher nem eu éramos bons, foram resolvidos diligentemente por amigos maravilhosos. Mais tarde, quando desenvolvi uma pneumonia e estava à beira da morte, e estampei minha assinatura final no testamento, pensei que se morresse naquele instante não restaria mais nada a fazer.</p>
<p><em>“Ah… posso morrer, enfim.”</em></p>
<p>Afinal, eu havia sido trazido de ambulância para o Hospital Musashino dois dias antes disso; e então novamente, para o mesmo hospital, no dia seguinte. Mesmo eu tive de ser hospitalizado e passar por vários exames. O resultado desses exames: pneumonia, água em meu peito, e quando perguntei ao doutor (bruscamente), a resposta que recebi foi bem direta, e de um modo fui grato por isso.</p>
<p><em>“Você pode durar um ou dois dias… mesmo se você sobreviver a isso, provavelmente terá até o fim do mês.”</em><br />
<a name="nota3"></a><br />
Enquanto escutava, pensei <em>“É como se ele estivesse me dizendo a previsão do tempo…”</em>, mas, ainda, a situação era amarga.</p>
<p>Este foi o sete de Julho. Foi um Tanabata <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[3]</a> bastante cruel, por certo.</p>
<p>Então, decidi.</p>
<p>Eu queria morrer em casa.</p>
<p>Posso ter incomodado as pessoas ao meu redor, mas pedi a eles para encontrarem um jeito de eu escapar e ir para casa. [Pude fazê-lo] graças aos esforços de minha mulher, à cooperação do hospital, apesar de sua posição de ter desistido de mim, à ajuda tremenda de outras facilidades médicas e às coincidências que foram tão numerosas que pareciam ser dádivas dos céus. Nunca vi tantas coincidências e eventos encaixando-se tão perfeitamente na vida real; quase não pude acreditar. Isso não era Tokyo Godfathers, afinal.</p>
<p>Enquanto minha mulher corria para ajeitar as coisas necessárias para minha fuga, eu suplicava aos médicos: “Se eu puder ir para casa por um dia sequer, há coisas que ainda posso fazer!”; então esperando pela morte sozinho num depressivo quarto hospitalar. Eu estava solitário, e era isto o que estava pensando:</p>
<p><em>“Talvez morrer não será tão mal.”</em></p>
<p>Não havia qualquer razão, e talvez eu precisasse pensar assim, mas estava surpreendentemente calmo e relaxado.</p>
<p>Entretanto, houve apenas um pensamento que estava me corroendo:</p>
<p><em>“Não quero morrer aqui…”.</em></p>
<p>Enquanto pensava-o, algo se movia para fora do calendário da parede e começava a espalhar-se pelo quarto.</p>
<p><em>“Oh, nossa, uma linha marchando para fora do calendário. Minhas alucinações não são originais mesmo…”</em></p>
<p>Tinha de sorrir sobre o fato de que meus instintos profissionais funcionavam até mesmo numa hora dessas, mas em todo caso eu estava provavelmente mais perto da terra dos mortos do que já estive em qualquer outro momento. Realmente sentia a morte muito perto de mim. [Mas] com a ajuda de muitas pessoas, eu milagrosamente escapei do Musashino e voltei para casa, empacotado pela terra dos mortos e pelos lençóis de cama.</p>
<p>Devo enfatizar que não guardo críticas ou mágoas do Hospital Musashino, então não me entenda mal.</p>
<p>Eu só queria ir para casa, meu próprio lar. O lar onde vivo.</p>
<p>Estava um pouco surpreso que, mesmo quando eu estava sendo carregado para minha sala de estar, como um bônus, experimentei essa experiência do leito de morte a que todos são familiares, essa sensação de ver seu corpo sendo carregado de um lugar elevado. Eu estava olhando pra mim e para a cena ao meu redor de uma posição a vários metros acima do chão, através de lentes de ângulo amplo e luz de flash. O quadrado da cama no centro da sala parecia muito grande e proeminente, e meu corpo envolvido por lençóis estava rebaixado no centro do quadrado. Não pareceu muito gentil; mas não estou reclamando.</p>
<p>Então, tudo o que eu tinha de fazer era esperar a morte em meu próprio lar.</p>
<p>Contudo.</p>
<p>Parece que eu pude superar a pneumonia.</p>
<p>Ah…?</p>
<p>Eu meio que pensei assim:</p>
<p><em>“Não consegui morrer! (gargalhada)”.</em></p>
<p>Mais tarde, quando não pude pensar em nada mais além da morte, pensei que já tivesse de fato morrido. No fundo de minha mente, a palavra “renascido” pulsava várias vezes.</p>
<p>Surpreendentemente, depois de então minha força vital havia rejuvenescido. Do fundo do meu coração, acredito que isso é devido às pessoas que me ajudaram. Primeiro e antes de tudo minha mulher, meus amigos caridosos, os médicos e enfermeiras, os administradores de saúde.</p>
<p>Agora que minha força vital havia se restituído não podia desperdiçar meu tempo. Disse a mim mesmo que me fora dada uma vida extra, e que eu tinha de gastá-la cuidadosamente. Então, pensei que queria apagar pelo menos uma das irresponsabilidades que havia deixado para trás neste mundo.</p>
<p>Para ser sincero, só havia dito às pessoas mais próximas sobre meu câncer. Não tinha sequer dito aos meus pais. Em particular, por causa de várias complicações relativas ao trabalho, não pude dizer nada (às pessoas), mesmo se eu quisesse. Queria ter anunciado meu câncer na internet e reportado meu tempo de vida restante, mas se a morte de Satoshi fosse marcada, algumas ondas de choque poderiam ter sido geradas, não importando o quão pequenas. Por essas razões, agi de maneira muito irresponsável para as pessoas caras a mim. Estou tão arrependido.</p>
<p>Havia tantas pessoas que eu queria ver antes de morrer, para dizer apenas uma palavra de consideração. Família e parentes; velhos amigos e colegas de classe do primário, ginásio e colegial; os camaradas da faculdade; as pessoas que conheci no mundo do manga, com quem compartilhei tanta inspiração; as pessoas no mundo do anime, a cujas mesas sentei-me próximo, com os quais saí para beber, com os quais  competia nos mesmos trabalhos; com os camaradas com quem compartilhei bons e maus momentos. As pessoas incontáveis que pude conhecer devido à minha posição de diretor de cinema; as pessoas que chamaram a si mesmas de meus fãs, não apenas do Japão, mas de todo o mundo; os amigos que fiz na web.</p>
<p>Há tantas, tantas pessoas que queria ter visto pelo menos uma vez (bem, também há algumas que não), mas se as ver temo que o pensamento “eu posso nunca mais ver essa pessoa novamente” iria apoderar-se de mim, e que então não conseguiria saudar a morte graciosamente. Mesmo se tivesse me recuperado, teria muito pouca força vital restante, e necessita-se muito esforço para encontrar as pessoas. Quanto mais as pessoas quisessem me ver, tanto mais difícil era para encontrar-me com elas. Que ironia. Ademais, a parte de baixo do meu corpo estava paralisada devido ao câncer espalhando-se por meus ossos, e eu estava debruçado em minha cama, e eu não queria que as pessoas vissem meu corpo pálido. Queria que a maior parte das pessoas que conheci se lembrassem de mim como o Satoshi cheio de vida.</p>
<p>Eu gostaria de usar este espaço para desculpar-me com meus parentes, amigos e conhecidos, por não dizê-los sobre meu câncer, por minha irresponsabilidade. Por favor, entendam que este era meu desejo egoísta. Quero dizer, Satoshi Kon era “aquele tipo de cara”. Quando imagino seus rostos apenas tenho boas memórias, e me lembro de (seus) grandes sorrisos. A todos, obrigado por todas as lembranças verdadeiramente importantes. Eu amei o mundo em que vivi. Apenas o fato de poder pensar isso me faz feliz.</p>
<p>As muitas pessoas que conheci no decorrer de minha vida, independente de terem sido positivas ou negativas, ajudaram a moldar o ser humano que é Satoshi Kon, e estou grato por todos esses encontros. Mesmo se o resultado final é uma morte precoce na metade dos 40, isto aceitei como meu próprio e único destino. Tantas coisas positivas aconteceram comigo, afinal.</p>
<p>O que penso sobre a morte agora é: <em>“posso apenas dizer: que infortúnio”</em>. Mesmo.<br />
<a name="nota4"></a><br />
No entanto, embora eu possa despreocupar-me de muitas de minhas ações irresponsáveis [por não dizer às pessoas], não posso evitar de sentir-me arrependido por duas coisas. Sobre meus pais, e sobre Maruyama-san, [fundador] do Madhouse <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[4]</a>.</p>
<p>Ainda que tenha sido bem tarde, não houve escolha além de esclarecer toda a verdade: queria implorar por seu perdão.</p>
<p>Tão logo vi a face de Maruyama-san quando veio ver-me em casa, não pude evitar o fluxo de lágrimas, ou meu sentimento de vergonha. <em>“Lamento tanto, tanto, por acabar assim…”</em>. Maruyama-san não disse nada, e apenas abanou sua cabeça e segurou minhas mãos. Eu estava preenchido de agradecimento. Sentimentos de gratidão e alegria; que eu fui sortudo o bastante para trabalhar com esta pessoa, vieram até mim como uma avalanche. Pode ser egoísmo, mas senti como se tivesse sido perdoado naquele instante.<br />
<a name="nota5"></a><br />
Meu maior arrependimento é o filme “Dreaming Machine” <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[5]</a>. Estou preocupado não com o filme em si, mas com a equipe com quem pude trabalhar nele. Afinal de contas, há a forte possibilidade de que os storyboards que foram criados com (nosso) sangue, suor e lágrimas nunca sejam vistos. Isto porque Satoshi Kon meteu suas mãos na história original, no roteiro, nos personagens e tramas, nos esboços, na música… cada mísera imagem. É claro, há coisas que eu compartilhava com o diretor de animação, o diretor de arte e outros membros da equipe, mas basicamente a maior parte do trabalho pode ser apenas entendida por Satoshi Kon. É fácil dizer que foi minha culpa por organizar as coisas desse jeito, mas do meu ponto de vista fiz todo esforço para compartilhar minha visão com os outros. Entretanto, no meu estado atual, posso apenas sentir um profundo remorso por minhas insuficiências nessas áreas. Peço desculpas a toda a equipe. Mas quero que entendam, ainda que apenas um pouco. Satoshi Kon foi “aquele tipo de cara”, e é por isso que ele pôde fazer anime meio estranho, um pouco diferente. Sei que isso é uma desculpa egoísta, mas pensem em meu câncer e, por favor, perdoem-me.</p>
<p>Não estive parado esperando pela morte; mesmo agora estou pensando com meu cérebro debilitado em jeitos de deixar o trabalho vivo mesmo depois de ter desaparecido. Mas todos eles são ideias cadentes. Quando contei a Maruyama-san sobre minhas preocupações com “Dreaming Machine”, ele apenas disse: <em>“Não se preocupe. Nós vamos dar um jeito, então não se preocupe”</em>.</p>
<p>Eu chorei.</p>
<p>Chorei incontrolavelmente.</p>
<p>Mesmo com meus filmes anteriores, fui tão irresponsável com as produções e orçamentos, mas sempre tive Maruyama-san para resolver tudo no fim.</p>
<p>Desta vez não é diferente. Realmente não mudei.</p>
<p>Pude falar com Maruyama-san até me saciar. Graças a isso, pude sentir, pelo menos um pouco, que os talentos e habilidades de Satoshi Kon foram de algum valor à nossa indústria.</p>
<p><em>“Eu lamento perder o seu talento. Gostaria que você pudesse deixá-lo pra nós.”</em></p>
<p>Se Maruyama-san do Madhouse diz isso, então posso ir para o submundo com um pouco de autoestima, afinal. E é claro, mesmo sem todos me dizendo isso, eu, sim, sinto arrependimento que minhas visões estranhas e a habilidade de descrever as coisas com minúcia de minutos sejam perdidas; mas não há o que fazer. Estou grato do fundo do meu coração que Maruyama-san deu-me a oportunidade de mostrar ao mundo essas coisas. Obrigado, muito obrigado. Satoshi Kon foi feliz como diretor de animação.</p>
<p>Foi tão triste contar aos meus pais.</p>
<p>Realmente pretendi subir até Sapporo, onde meus pais vivem, enquanto ainda podia, mas minha doença progrediu com rapidez tão inesperada e irritante que acabei ligando para eles da sala do hospital no momento mais próximo da morte.</p>
<p><em>“Estou nos estágios finais de câncer e morrerei logo. Fui tão feliz tendo nascido como um filho de Papai e Mamãe. Obrigado.”</em></p>
<p>Eles devem ter sido devastados por ouvir isso do nada, mas estava certo de que morreria naquele instante.</p>
<p>Mas então voltei para casa e sobrevivi à pneumonia. Fiz a grande decisão de ver meus pais. Eles queriam me ver também. Mas seria tão difícil vê-los, e eu não tinha a vontade necessária para fazê-lo. Mas eu queria ver o rosto de meus pais uma vez mais. Queria dizer a eles o quão grato estava por terem me trazido a este mundo.</p>
<p>Fui uma pessoa feliz. Apesar de ter de me desculpar à minha mulher, meus pais e a todas as pessoas que amo por ter vivido minha vida um pouco rápido demais.</p>
<p>Meus pais consentiram com meu desejo egoísta, e vieram no dia seguinte, de Sapporo à minha casa. Nunca poderei esquecer as primeiras palavras saídas da boca de minha mãe, quando me viu lá deitado.</p>
<p><em>“Lamento tanto, por não ter te trazido ao mundo com um corpo mais forte!”</em></p>
<p>Eu estava completamente sem palavras.</p>
<p>Podia gastar só um pouco de tempo com meus pais, mas foi o bastante. Tinha sentido que se visse seus rostos, seria o bastante, e realmente assim foi.</p>
<p>Obrigado, Pai, Mãe. Estou tão feliz que nasci neste mundo como o filho de vocês dois. Meu coração está cheio de lembranças e gratidão. A felicidade em si é importante, mas estou tão grato que vocês me ensinaram a apreciá-la. Obrigado, tão muito obrigado.</p>
<p>É tão desrespeitoso morrer antes dos pais, mas nos últimos 10 anos ou mais pude fazer o que quis como diretor de anime, atingir meus objetivos e receber alguns bons reviews. Arrependo-me, mesmo, que meus filmes não tenham feito muito dinheiro, mas penso que receberam o que mereceram. Nestes últimos 10 anos ou mais, em particular, senti como se tivesse vivido mais intensamente do que as outras pessoas, e penso que meus pais entenderam o que estava em meu coração.</p>
<p>Por causa das visitas de Maruyama-san e meus pais, senti como se retirasse um grande fardo dos meus ombros.</p>
<p>Por fim, a minha mulher, aquela com quem mais me preocupo, mas me apoiou até o fim.</p>
<p>Desde aquele pronunciamento de “tempo restante”, mergulhamo-nos em lágrimas juntos tantas vezes. Todo dia foi brutal para nós dois, fisicamente e mentalmente. Quase não há palavras para tal. Mas a razão por que pude sobreviver a esses dias difíceis foram as palavras que você disse a mim logo depois de recebermos aquelas notícias.</p>
<p><em>“Eu estarei ao seu lado até o fim.”</em></p>
<p>Fiel a estas palavras, como se você estivesse deixando minhas preocupações ao pó, você habilmente dirigiu as demandas e pedidos que vieram correndo em sua direção como uma avalanche, e rapidamente aprendeu como cuidar do seu marido. Fiquei tão tocado, observando você lidar com as coisas tão eficazmente.</p>
<p><em>“Minha mulher é maravilhosa.”</em></p>
<p>Não é preciso continuar a dizer isso agora, você diz? Não, não. Você é ainda mais maravilhosa agora do que sempre foi – eu realmente sinto isso. Mesmo depois de eu ter morrido, acredito que você irá enviar Satoshi Kon ao próximo mundo graciosamente. Desde que nós nos casamos, eu estava tão envolvido em “Trabalho, trabalho” que pude apenas gastar algum tempo em casa depois do câncer – uma pena.</p>
<p>Mas você permaneceu perto de mim, você sempre entendeu que eu precisava mergulhar em meu trabalho, que meu talento estava lá. Eu fui feliz. Verdadeiramente feliz. Durante minha vida, e enquanto espero pela morte, simplesmente não posso expressar minha gratidão a você o bastante. Obrigado.</p>
<p>Há tantas coisas, coisas incontáveis, com que me preocupo, mas tudo precisa de um fim.</p>
<p>Finalmente, ao doutor H, que concordou em cuidar de mim até o fim, em minha casa, apesar de não ser algo mais feito nesses dias, e à sua esposa e enfermeira, K-san, eu gostaria de expressar minha profunda gratidão. Cuidado médico em uma casa privada é muito inconveniente, mas você pacientemente lidou com os numerosos fardos e dores que o câncer trouxe, e fez o impossível para fazer-me o mais confortável possível até chegar este objetivo final chamado morte. Não posso dizer o quanto vocês me ajudaram. E vocês não apenas lidaram com este difícil e arrogante paciente como se fosse apenas seu trabalho, mas tratavam-me como seres humanos. Não posso dizer o quanto me apoiaram e o quanto me salvaram. Fui encorajado por suas qualidades como seres humanos inúmeras vezes. Estou profunda, profundamente agradecido.</p>
<p>E – estes são mesmo os últimos –, logo após eu ter recebido aquele aviso, em meados de maio até agora, tive sorte de ter a cooperação, ajuda e suporte mental, pessoalmente e profissionalmente, de dois amigos. Meu amigo T, que tem sido um amigo desde o colegial e um membro da KON’Stone Inc., e produtor H, eu agradeço a ambos do fundo do meu coração. Muito obrigado. É difícil para mim, com meu magro vocabulário, expressar minha gratidão adequadamente a vocês dois. Minha mulher e eu recebemos tanto de vocês.</p>
<p>Se ambos não estivessem aqui pela gente, estou certo de que estaria antecipando a morte olhando para minha mulher, aqui, enquanto ela estaria sentada ao meu lado consideravelmente mais trepidante e temerosa. Estou realmente em seu débito.</p>
<p>E, se puder pedir a vocês uma coisa mais – poderiam ajudar minha mulher a enviar-me para o outro lado após minha morte? Conseguiria subir neste voo com minha mente em repouso se pudessem fazer isso para mim. Peço isto do fundo do meu coração.</p>
<p>Então, a todos que permaneceram comigo através deste longo documento, obrigado.<br />
<a name="nota6"></a><br />
Com meu coração cheio de gratidão, por tudo de bom no mundo, soltarei minha caneta.</p>
<p>Agora, com licença; eu preciso ir <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#notas">[6]</a>.</p>
<p>- <span style="color: #333333;"><strong>Satoshi Kon.</strong></span><br />
<em>Tóquio, agosto de 2010.</em></p>
<hr />
<h3>Notas:<a name="notas"></a></h3>
<p><span><br />
<span style="color: #333333;">[1]</span> – Ressonância magnética. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota1">[voltar ao texto]</a></span></p>
<p><span style="color: #333333;">[2]</span> – Tomografia por emissão de pósitrons associada a tomografia computadorizada. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota2">[voltar ao texto]</a></p>
<p><span style="color: #333333;">[3]</span> – Tanabata é um evento anual japonês, chamado de “festival das estrelas”, marcado por um espírito de alegria. Daí a observação de Kon.<br />
Confira o site dedicado ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tanabata" target="blank">Tanabata</a>, no Wikipedia. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota3">[voltar ao texto]</a></p>
<p><span style="color: #333333;">[4]</span> – Madhouse é o estúdio no qual Satoshi Kon produziu todos os seus trabalhos. Sua relação com o estúdio era extremamente próxima, e a proximidade era tal que Kon contribuiu em grande medida para definir o estilo artístico do estúdio – repare, por exemplo, as cenas baseadas em cores neutras, no plano, com detalhes em vermelho, azul, verde ou amarelo, algo recorrente em grande parte dos animes do Madhouse. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota4">[voltar ao texto]</a></p>
<p><span style="color: #333333;">[5]</span> – Yume Miru Kikai, no documento original. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota5">[voltar ao texto]</a></p>
<p><span style="color: #333333;">[6]</span> – <font face="MS Gothic">???</font> (o-saki ni), no original japonês. Como não há expressão equivalente em português, é preciso tecer alguns esclarecimentos. O-saki ni é uma saudação utilizada quando nos despedimos de alguém por estarmos saindo do local antes dela, em direção a um local que ela, mais tarde, também irá. Alguém se despedindo dos colegas de trabalho, indo para casa mais cedo que eles, é um exemplo de situação em que o-saki ni é empregado. Literalmente, “com licença por ir antes de vocês”. Assim, considerando-se o contexto, Kon está essencialmente dizendo ao leitor: ‘Preciso ir agora. Estou deixando este mundo antes de vocês’. <a href="http://akahon.com.br/a-despedida-de-satoshi-kon/#nota6">[voltar ao texto]</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Como usar a ferramenta Pen Tool do Photoshop</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 15:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Akahon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tutoriais]]></category>
		<category><![CDATA[Lineart]]></category>
		<category><![CDATA[Pen Tool]]></category>
		<category><![CDATA[Photoshop]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste tutorial será explicado: 1. O uso da Pen Tool 2. Localização da Pen Tool 3. Configuração da Pen Tool 4. Elementos Básicos: Segmento, Ponto, Tangente e Ponto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste tutorial será explicado:</p>
<p><a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top1">1. O uso da Pen Tool</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top2">2. Localização da Pen Tool</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top3">3. Configuração da Pen Tool</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top4">4. Elementos Básicos: Segmento, Ponto, Tangente e Ponto da Tangente</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top5">5. Modificar seu segmento: Adicionar, Remover e Selecionar pontos</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top6">6. Criar linhas e curvas com a Pen Tool</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top7">7. Criar Seleções, Preenchimentos e Contornos</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/pen-tool-photoshop/#top8">8. Notas Finais</a><br />
<a name="top1"></a></p>
<h3>1. O uso da Pen Tool</h3>
<hr />
<p>Você pode utilizar a Pen Tool para fazer linearts, preencher formas, criar seleções e recortar imagens. É uma ferramenta muito boa para desenhistas e cosplayers que querem tratar ou fazer montagens em suas obras.</p>
<p><strong>Pen Tool e Pintura Digital</strong><br />
Vale ressaltar que eu uso essa ferramenta com o mouse. Algumas pessoas acreditam que a pintura digital só vai ser boa se for feita com tablet, mas isso não é verdade. Pessoalmente acho muito mais prático e rápido trabalhar o contorno dos meus desenhos utilizando a Pen Tool do que fazer manualmente com a tablet. Quando vou colorir e sombrear meus desenhos, eu também uso essa ferramenta.</p>
<p>Alguns exemplos:<br />
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 393px"><img alt="Recorte de fundo" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/exemplo-2.jpg" title="Recorte de fundo" width="383" height="216" /><p class="wp-caption-text">Exemplo de fundo recortado com a pen tool</p></div><br />
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><img alt="Lineart da Aka-Chan e Sashimi" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/exemplo-1-200x300.jpg" title="Lineart da Aka-Chan e Sashimi" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Exemplo de lineart feita com a pen tool</p></div>
</p>
<p><a name="top2"></a></p>
<h3>2. Localização da Pen Tool</h3>
<hr />
<p>Para selecionar a Pen Tool, basta clicar no ícone&nbsp;<img class="sem_borda" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_02.jpg" alt="" width="18" height="18"> localizado na caixa de ferramentas ou utilizar o atalho “P”.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-356" title="pen_tool_01" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_01.jpg" alt="" width="269" height="120"></div>
<p><a name="top3"></a></p>
<h3>3. Configuração da Pen Tool</h3>
<hr />
<p>Com a Pen Tool selecionada, note que aparecerá um menu no canto superior do photoshop, com várias opções de configuração.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-365" title="pen_tool_03" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_03.jpg" alt="" width="504" height="110"></div>
<p></p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #ff0000;"><strong>A. Shape Layers</strong>:</span> Esta opção permite criar formas. Se sua intenção é criar contorno, seleções, preencher ou recortar uma imagem, você deve habilitar a <strong>opção B</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong><span style="color: #ff0000;">B. Paths:</span> </strong>Com esta opção habilitada você poderá criar contornos, seleções e preenchimentos.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #ff0000;"><strong>C. Auto Add/Delete</strong>: </span>Adiciona ou Remove automaticamente pontos. (Você deve selecionar esta opção).</p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #ff0000;"><strong>D. Add to Path Area:</strong></span> Para concluir, verifique se esta opção também está selecionada.</p>
<p><a name="top4"></a></p>
<h3>4. Elementos Básicos</h3>
<hr />
<p>Antes de começar a usar a Pen Tool, devemos entender um <em><strong>Segmento</strong></em> (conhecido também como Path) e seus elementos. Observe a figura abaixo:</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_22.jpg" alt="" title="pen_tool_22" width="346" height="394" class="alignnone size-full wp-image-661"></div>
<p></p>
<p>Ao desenhar um segmento, utilize o mínimo possível de pontos para criar a forma que você quer. Quanto menor o número de pontos que você utiliza, mais suaves as curvas e eficiente seu arquivo.</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_23.jpg" alt="" title="pen_tool_23" width="280" height="315" class="alignnone size-full wp-image-663"></div>
<p><a name="top5"></a></p>
<h3>5. Modificando o seu Segmento</h3>
<hr />
<p><strong>Adicionar Pontos </strong><strong><img class="alignnone size-full wp-image-399" title="pen_tool_10" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_10.jpg" alt="" width="18" height="18"> </strong><br />
Para adicionar pontos no seu segmento, basta clicar em cima dele. O ícone da Pen Tool indicará um símbolo de “+”. Você também encontra esta opção na caixa de ferramentas.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-391" title="pen_tool_08" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_08.jpg" alt="" width="280" height="199"></div>
<p><strong>Deletar Pontos </strong><strong><img class="alignnone size-full wp-image-406" title="pen_tool_09" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_09.jpg" alt="" width="18" height="18"></strong><br />
Para deletar, clique em cima do ponto. O ícone da Pen Tool indicará um símbolo de “-”. Você também encontra esta opção na caixa de ferramentas.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-390" title="pen_tool_07" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_07.jpg" alt="" width="280" height="186"></div>
<p><strong>Selecionar e Mover Pontos </strong><img class="alignnone size-full wp-image-408" title="pen_tool_11" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_11.jpg" alt="" width="18" height="18"><br />
Com a <span style="color: #ff0000;"><em><strong>tecla Ctrl</strong></em></span> pressionada, repare que o ícone da pen tool será subtituído por uma seta branca. É com ela que você vai selecionar e mover pontos. Veja a animação abaixo:</p>
<div align="center">

<object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000"
			id="fm_pen-tool-01_181816300"
			class="flashmovie"
			width="296"
			height="212">
	<param name="movie" value="http://akahon.com.br/flash/pen-tool-01.swf" />
	<!--[if !IE]>-->
	<object	type="application/x-shockwave-flash"
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	<!--<![endif]-->
		
<p><a href="http://adobe.com/go/getflashplayer"><img src="http://www.adobe.com/images/shared/download_buttons/get_flash_player.gif" alt="Get Adobe Flash player" /></a></p>

	<!--[if !IE]>-->
	</object>
	<!--<![endif]-->
</object></div>
<p>Para selecionar vários pontos ao mesmo tempo, experimente fazer o movimento de um “retângulo” com o mouse, englobando a área em que estão os pontos (sempre com a tecla Ctrl pressionada).</p>
<p><strong>Fechar o Segmento </strong><strong><img class="alignnone size-full wp-image-438" title="pen_tool_12" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_12.jpg" alt="" width="18" height="18"></strong><br />
Para fechar o segmento, basta clicar no primeiro ponto que você criou. O ícone da Pen Tool irá mostrar uma bolinha.</p>
<div align="center"><img class="size-full wp-image-440 aligncenter" title="pen_tool_13" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_13.jpg" alt="" width="280" height="198"></div>
<p><a name="top6"></a></p>
<h3>6. Criando linhas e curvas com a Pen Tool</h3>
<hr />
<p>Primeiro, observe como foi criado o segmento fofo, na animação abaixo. Depois vamos entender passo-a-passo o que foi feito.</p>
<div align="center">

<object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000"
			id="fm_pen-tool-02_1505980702"
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			height="212">
	<param name="movie" value="http://akahon.com.br/flash/pen-tool-02.swf" />
	<!--[if !IE]>-->
	<object	type="application/x-shockwave-flash"
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			name="fm_pen-tool-02_1505980702"
			width="296"
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	<!--<![endif]-->
		
<p><a href="http://adobe.com/go/getflashplayer"><img src="http://www.adobe.com/images/shared/download_buttons/get_flash_player.gif" alt="Get Adobe Flash player" /></a></p>

	<!--[if !IE]>-->
	</object>
	<!--<![endif]-->
</object></div>
<h4><span style="color: #ff0000;">Passo 1:</span> Criar uma linha com a Pen Tool</h4>
<p>Criar uma linha é muito simples: basta clicar com o mouse para fazer um ponto e clicar novamente para criar outro ponto. Com a <span style="color: #ff0000;"><em><strong>tecla Shift</strong></em></span> pressionada, a linha do seu segmento não ficará torta.</p>
<h4><span style="color: #ff0000;">Passo 2:</span> Criar outro ponto e fechar o segmento</h4>
<p>Crie outro ponto em linha reta e feche o segmento. Quando você fechar ele, automaticamente você terá deselecionado ele.</p>
<h4><span style="color: #ff0000;">Passo 3: </span>Selecionar o segmento de volta</h4>
<p>Selecione seu segmento (clique em cima dele com a <em><strong><span style="color: #ff0000;">tecla Ctrl</span></strong></em> pressionada). Selecionado, você poderá enxergar novamente os pontinhos dele.</p>
<h4><span style="color: #ff0000;">Passo 4: </span>Criar curvas com a Pen Tool</h4>
<p>Esta talvez seja a parte mais complicada para quem ainda não está familiarizado com a Pen Tool. Para fazer curvas você precisará pressionar a <span style="color: #ff0000;"><strong><em>tecla<strong> alt</strong> </em></strong></span> e “puxar”&nbsp; o ponto desejado.</p>
<p>Ao puxar um ponto, saírão linhas dele: as tangentes. Elas definem o ângulo da sua curva (sempre perpendicular à ela).</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-484" title="pen_tool_17" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_17.jpg" alt="" width="276" height="167"></div>
<p>Repare que, ao pressionar a tecla Alt, o cursor ficará assim: <img class="alignnone size-full wp-image-482" title="pen_tool_16" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_16.jpg" alt="" width="18" height="18"></p>
<h4><span style="color: #ff0000;">Passo 5: </span>Ajustar as tangentes (linhas de direção) da curva</h4>
<p>Agora que você criou uma curva,&nbsp; o próximo passo é ajustar as linhas tangentes. Para isto você deve clicar no <em><strong>ponto da tangente</strong></em> pressionando a <em><strong><span style="color: #ff0000;">tecla Crtl</span></strong></em> ou a <em><strong><span style="color: #ff0000;">tecla Alt</span></strong></em>. Neste caso, as duas teclas cumprem a mesma função.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-480" title="pen_tool_15a" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_15a.jpg" alt="" width="276" height="167"></div>
<p></p>
<h4><span style="color: #ff0000;">Dica:</span> Tangentes simétricas</h4>
<p>Tangentes simétricas são aquelas que possuem a mesma angulação e tamanho.</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-473" title="pen_tool_14" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_14.jpg" alt="" width="270" height="122"></div>
<p>No passo 4 deste tutorial você criou uma tangente simétrica: bastou pressionar a <em><span style="color: #ff0000;"><strong>tecla Alt </strong></span></em>e puxar um ponto que estava dentro do segmento (não confunda com o ponto da tangente).</p>
<p>Outra forma de se criar tangentes simétricas é criando novos pontos com o botão do mouse pressionado.</p>
<p><a name="top7"></a></p>
<h3>7. Preenchimentos, Contornos e Seleções</h3>
<hr />
<p>Após desenhar seu segmento, próximo passo é decidir o que fazer com ele: transformá-lo em um preenchimento, contorno ou seleção?</p>
<p>Ambos são simples de fazer: com a pen tool selecionada, dê um <em><strong><span style="color: #ff0000;">clique direito com o mouse</span></strong></em> e irá surgir uma janela com estas opções:</p>
<div align="center"><img class="aligncenter size-full wp-image-644" title="pen_tool_18b" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_18b.jpg" alt="" width="362" height="185"></div>
<p></p>
<h4>Criando Seleções</h4>
<p>Ao selecionar a opção “Make Selection” surgirá outra janela com várias outras opções:</p>
<div><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_19.jpg" alt="" title="pen_tool_19" width="290" height="201" class="aligncenter size-full wp-image-647"></div>
<p></p>
<p>A opção “Anti-Aliased” faz com que o contorno da seleção fique sem serrilhados e mais suave. Recomendo ativá-la. Dê ok e seu segmento ficará com esta cara:</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_20.jpg" alt="" title="" width="262" height="112" class="aligncenter size-full wp-image-649"></div>
<h4>Preencher o Segmento</h4>
<p>Ao selecionar a opção “Fill Path” surgirá outra janela com várias outras opções:</p>
<div><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_24.jpg" alt="" title="pen_tool_24" width="372" height="300" class="alignnone size-full wp-image-679"></div>
<p></p>
<p>Explicando brevemente, utilizei “Foreground Color” ou a cor de primeiro plano para preencher o segmento (basta selecioná-la na caixa de ferramentas).</p>
<p><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_25.jpg" alt="" title="pen_tool_25" width="200" height="60" class="alignnone size-full wp-image-683"></p>
<p></p>
<p>Usei o modo Multiply para que as cores mais escuras sobreponham as cores claras (cada caso é um caso, sugiro manter esta opção no “Normal”). Dê ok e seu segmento estará preenchido. Caso não precise mais dele, delete-o.</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_21.jpg" alt="" title="pen_tool_21" width="266" height="107" class="alignnone size-full wp-image-685"></div>
<h4>Contornar o Segmento</h4>
<p>Ao selecionar a opção “Stroke Path” surgirá outra janela com várias outras opções:</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_26.jpg" alt="" title="pen_tool_26" width="333" height="62" class="alignnone size-full wp-image-690"></div>
<p></p>
<p>Com a opção “Brush” selecionada, o contorno do segmento terá as mesma configurações desta ferramenta. Por exemplo, configurei a Brush para espessura 3 e a cor verde de foreground.</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_28.jpg" alt="" title="pen_tool_28" width="254" height="273" class="alignnone size-full wp-image-692"></div>
<p></p>
<p>Desse modo, o segmento ficou assim:</p>
<div align="center"><img src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/04/pen_tool_27.jpg" alt="" title="pen_tool_27" width="300" height="110" class="alignnone size-full wp-image-689"></div>
<p><a name="top8"></a></p>
<h3>8. Notas Finais</h3>
<hr />
<p>Basicamente é assim que funciona a Pen Tool. Estarei preparando outros tutoriais específicos para pintura digital utilizando esta ferramenta.</p>
<p>Você também poderá encontrar mais dicas nestas edições:<br />
<a target="blank" href="http://www.akahon.com.br/volumes/03/">Volume 3 da Revista Akahon</a>: Cuidados e dicas de como deixar seu traço mais limpo.<br />
<a target="blank" href="http://www.akahon.com.br/volumes/04/">Volume 4 da Revista Akahon:</a> Pintura digital de olhos no photoshop.</p>
<p>Obrigada e qualquer dúvida é só deixar um comentário!</p>
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		<title>Uma interpretação do fim de Neon Genesis Evangelion</title>
		<link>http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 14:47:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Akahon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Neon Genesis Evangelion]]></category>

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		<description><![CDATA[SUMÁRIO: 1. Introdução 2. Um final polêmico 3. O final “falso” e o final “verdadeiro” 4. O argumento por trás de Evangelion 5. Liberdade, Limitação, Existência e Conflito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #333333;"><strong>SUMÁRIO:</strong></span><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top1">1. Introdução</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top2">2. Um final polêmico</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top3">3. O final “falso” e o final “verdadeiro”</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top4">4. O argumento por trás de Evangelion</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top5">5. Liberdade, Limitação, Existência e Conflito</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top6">6. Conclusão: Unidade e Coerência entre os finais de Evangelion</a><br />
<a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#top7">7. Sobre o autor e notas</a><br />
<a name="top1"></a></p>
<h4>1. Introdução</h4>
<p><a name="nota1"></a><img class="alignnone size-full wp-image-59" title="img-02" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/img-02.jpg" alt="" width="430" height="215"></p>
<p>Neon Genesis Evangelion <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#_ftn1">[1]</a> é um <em>anime</em> dirigido por <strong>Hideaki Anno</strong><em> </em>que foi ao ar na TV japonesa entre os anos de 1995 e 1996. Composto originalmente por 26 episódios de aproximadamente 23 minutos cada, a série ganhou dois longas em 1997: o primeiro, <strong><em>Death and Rebirth</em></strong>, é um resumo estilizado da série; o segundo, <strong><em>The End of Evangelion</em></strong>, como sugere o nome, conclui a obra.</p>
<p>Evangelion foi, e ainda é, um trabalho bastante polêmico. Partindo de lugares-comuns típicos do <em>anime</em>, apresenta o expectador a um mundo pós-apocalíptico atormentado ocasionalmente por seres monstruosos dotados de poderes sobrenaturais, cabendo ao personagem principal – Shinji, um garoto aparentemente ordinário e de aspecto frágil – a tarefa de salvar a humanidade. Os meios para executar a tarefa heróica também não poderiam ser mais típicos: o combate físico, pilotando robôs gigantes. Completam a receita meninas bonitas, excêntricas e misteriosas, alguns personagens carismáticos e uma mascote.</p>
<p><a name="nota2"></a>Seu diferencial consiste no modo como esses e outros lugares-comuns foram incorporados em um argumento que transcende a pirotecnia e os aspectos mais aparentes da história, para atingir um nível de refinamento artístico que nos permite a contemplação estética e a um intrincado trabalho de decodificação, sendo necessário, para tanto, conhecer algumas referências clássicas da filosofia, da psicologia e da religião. Um dos principais méritos de Anno foi justamente utilizar características típicas do universo <em>anime</em>, por si só já muito bem aplicadas, capazes de atrair seu público geral <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#_ftn1">[2]</a>, como pano de fundo para uma meditação de caráter filosófico, psicológico e místico.</p>
<p>À medida que a série transcorre, o foco de atenção vai sendo dirigido cada vez mais nessa direção. O argumento torna-se mais e mais abstrato, simbólico. Os eventos apresentados ao expectador vão perdendo sua função “pragmática”, ou seja, passa para o segundo plano o contar da história, a narração dos fatos (ainda que fictícios), a finalidade de informar ao expectador <em>o que está acontecendo</em>. Ao mesmo tempo, sobe ao primeiro plano a<em> função simbólica</em> e a<em> função estética</em>: os eventos apresentados passam a ser veículos para desenvolver e transmitir mensagens de conteúdo teórico-abstrato (função simbólica), por sua vez, de maneira estilizada, artística (função estética). Ou seja, são, antes, símbolos que transmitem reflexões a respeito da subjetividade humana.<br />
<a name="top2"></a></p>
<h4><span style="color: #333333;">2. Um Final Polêmico</span></h4>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-85" title="img-06" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/img-06.jpg" alt="" width="430" height="215"></p>
<p>O fim de <em>Evangelion </em>não só segue essa tendência, mas leva-a ao extremo. Isso gerou muita polêmica, já que, como vimos, a obra também possui elementos que atraíram um público que tinha pouco interesse nesses aspectos, apreciando mais o carisma e as relações pessoais entre os personagens, e com mais interesse no desenlace da intrincada trama. Mais interessado, pois, pelas características mais convencionais dos <em>animes</em>. O fato de a série ter <em>começado </em>ressaltando esses elementos, mas <em>progredido </em>tornando-se cada vez mais estilizada e <em>terminado </em>com um alto grau de abstração (ainda que não tenha abandonado elementos ‘<em>anime</em>scos’ tradicionais), frustrou as expectativas daqueles apaixonados pelo <em>universo </em>de Evangelion, mas menos interessados em suas abstrações.</p>
<p>Nesse registro, o fim da série de TV, composto pelos episódios 25 e 26, é um corte abrupto no desenrolar do enredo que abre mão de narrar <em>o que de fato ocorreu</em> e <em>como tudo acabou</em> (ou seja, o enredo propriamente dito) para discutir exclusivamente o <em>significado</em> da obra e, nesse sentido, concluir a mensagem que os criadores queriam transmitir (o argumento) por meio daquele enredo. O enredo passa a ser um apoio ao argumento, o cenário que serviria como pano de fundo para desenvolvê-lo.</p>
<p><a name="nota3"></a>Contudo, persistia que o que havia sido concluído eram as idéias de Hideaki Anno (o diretor), e não a trama de conspirações que se apresentara até então. O que ocorreu com os personagens principais? O que estava por trás dos mistérios? Ficamos sem essas respostas. O que deixou muitos desnorteados, e mesmo raivosos: lembremos que Evangelion também se destacou nos aspectos ‘animescos’ convencionais. Assim, a sensação de muitos foi de traição: fui apresentando a um mundo mágico, cativante, que não chegou a lugar algum. Assim, em meio aos protestos, um longa, intitulado <em>The End of Evangelion </em>(para não deixar dúvidas…)<em> </em>veio para fornecer um fecho ao enredo, à história, dando um fim à série <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#_ftn1">[3]</a>.<br />
<a name="top3"></a></p>
<h4><span style="color: #333333;"><strong>3. O final “falso” e o final “verdadeiro”</strong></span></h4>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-62" title="img-03" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/img-03.jpg" alt="" width="430" height="215"></strong></p>
<p>Mas esse imbróglio teve uma conseqüência negativa à compreensão de Evangelion: a separação entre o final da série de TV e o longa-metragem, este entendido como o “verdadeiro” final, o substituto legítimo do final “falso”, “errado”, da série de TV. Essa divisão foi o resultado trágico – mas esperado – da própria composição da série; foi se aprofundando, progressivamente, à medida que Evangelion tornava-se cada vez menos um <em>anime</em> convencional e cada vez mais uma alegoria filosófica, “traindo” seu público “original”, ou seja, o público que havia sido atraído pelos méritos ‘<em>anime</em>scos’, mais presentes na primeira parte da série.</p>
<p>Achamos isso uma grande besteira; uma besteira que só poderia ser o resultado de um grande mal-entendido. Logicamente, o fato de Evangelion ter sido um <em>anime</em> de forte apelo comercial, direcionado ao grande público, <em>ao mesmo tempo </em>em que ambicionou ser uma espécie de dissertação multidisciplinar de filosofia e psicologia, faz dele uma obra arriscada, que se lança ao risco de ser mal-compreendida, caminhando portanto sobre uma linha muito tênue entre o grande sucesso e o grande fracasso. Mas acreditamos que Evangelion conseguiu desenvolver com grande competência as idéias e emoções que queria transmitir. E principalmente: achamos que tudo isso, esses aspectos abstratos, “intelectuais”, não são contrários à dimensão propriamente ‘<em>anime</em>sca’ de Evangelion, pelo contrário, as duas coisas se complementam. Essa é nossa tese. Pretendemos demonstrá-la por meio de uma comparação entre os finais de Evangelion, mostrando que eles são compatíveis. E, assim, como os aspectos ‘animescos’ são compatíveis com os “abstratos” (teóricos e estéticos).</p>
<p>Nesse sentido, <em>End of Evangelion </em>claramente <em>complementa</em> o fim da série de TV. As suas coisas são partes complementares de um mesmo argumento. Isso não é claro porque o que vemos em <em>End of Evangelion </em>é o que ocorre <em>fora </em>da mente do personagem principal, Shinji (também poderíamos dizer fora de seu “AT Field”…). Trata-se, pois, dos eventos literais, do enredo. O que vemos no fim da série de TV é o que ocorre <em>dentro </em>de sua mente (seu “AT Field”). Mas o argumento de ambos é o mesmo. Ocorre, apenas, que vemos esse argumento de ângulos diferentes (interior e exterior a Shinji). Nada mais adequado para o estoque de influências culturais que estão na retaguarda de Evangelion.</p>
<p>Qual seria esse argumento? Vamos tentar apresentá-lo resumidamente.<br />
<a name="nota4"></a><a name="top4"></a></p>
<h4><span style="color: #333333;"><strong>4. O argumento por trás de Evangelion</strong></span></h4>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-81" title="img-04" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/img-04.jpg" alt="" width="430" height="215"></strong></p>
<p>Evangelion trata dos problemas dos relacionamentos humanos, do sentido da existência, da formação do ego e da individualidade. Ele busca responder a algumas questões filosóficas clássicas, que atormentam os seres humanos: por que vivemos?, o que é a felicidade? E, até mesmo, como compreendemos o mundo em que vivemos? <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#_ftn1">[4]</a></p>
<p>Uma seqüência do fim da série de TV é especialmente ilustrativa. Vamos utilizá-la como exemplo. Ela começa mostrando uma tela completamente branca. De repente, traçam-se algumas linhas. A partir dessas linhas, coisas começam a ganhar forma. Progressivamente, elas vão se distinguindo entre si. Adicionam-se cores, e todo vai se tornando cada vez mais complexo. Ao mesmo tempo, enquanto tudo isso transcorre, a voz da narração fala de “liberdade”, de “visões de mundo”, de “sofrimento”, de relações humanas. O que isso quer dizer?</p>
<p>Em síntese, para que as coisas existam, elas precisam se distinguir entre si. Inclusive nós, os seres humanos. Ao mesmo tempo, quanto mais nos distinguimos, mais adquirimos individualidade. Quanto mais individualidade, mais temos oportunidade de desenvolver emoções próprias. E, à medida que tomamos consciência de nossa própria existência, torna-se necessário dar algum sentido para ela. E as pessoas precisam relacionar-se para construir esse sentido, ou seja, precisam viver juntas.<br />
<a name="top5"></a></p>
<h4><span style="color: #333333;"><strong>5. Liberdade, Limitação, Existência e Conflito</strong></span></h4>
<p><strong> </strong><img class="alignnone size-full wp-image-83" title="img-05" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/img-051.jpg" alt="" width="430" height="215"></p>
<p>Essa idéia se desenvolve da seguinte forma. O espaço vazio, mostrado no início, representa o estado de liberdade total. Mas nada existe nesse estado. Para que tudo seja possível, é preciso que não exista nada, em particular. Para algo existir, é preciso que se estabeleça uma distinção fundamental. Adiciona-se ao espaço vazio, assim, uma consciência – no caso, do personagem principal, Shinji. Mas vejamos: para Shinji existir, foi necessário que ele se <em>diferenciasse </em>do espaço à sua volta. Foi preciso que se estabelecesse uma <em>fronteira</em>, no caso, física, entre ambos. Para que algo, para que Shinji existisse, foi necessário criar-se alguma <em>limitação</em>, uma fronteira, que diferenciasse esse “algo” de todo o resto<em>. </em>A primeira limitação, a mais fundamental, é a própria separação entre nós e o universo que nos cerca.</p>
<p>A essa altura, o universo já sofreu alguma limitação. Mas Shinji ainda está livre. Neste momento, somente Shinji existe. Nada existe além dele. Ao contrário do resto do universo, que é uma massa branca, Shinji é formado por traços. Ele é livre… exatamente porque não há nada com que se distinguir. Ele é livre, porque não há nada ao seu redor.</p>
<p>Traça-se então uma reta, e daí surge um plano, um <em>espaço</em>. Desse espaço passa então a existir “em cima” e “em baixo”. Agora, Shinji pode prender-se a uma superfície, e sobre nela caminhar. Estabelecem-se sentidos. Passa a existir, portanto, mais coisas: direções. Contudo, Shinji agora está preso ao plano. Sua liberdade foi limitada.</p>
<p>A seguir, adicionam-se mais coisas ao universo. Além do plano e de Shinji, vão aparecendo outras coisas, outros seres, objetos. Shinji é diferente de todos eles. Ele é diferente porque ele está <em>separado </em>de todo o resto, porque há algum <em>limite</em> entre ele e o resto. E <em>exatamente por isso</em>, agora, Shinji pode se relacionar com todos eles.</p>
<p>Mas quanto mais coisas existem, mais Shinji torna-se limitado.</p>
<p>Há, pois, uma relação entre existir, diferenciar-se e ser limitado. Para existir, as coisas, inclusive nós, precisam se diferenciar. Mas com isso também nos <em>limitamos</em>, ou seja, nossa liberdade absoluta diminui.</p>
<p>Mas há ainda um agravante: ao contrário das coisas inanimadas, nós, seres humanos, temos <em>consciência</em> de nossa existência e de nossa <em>individualidade</em>: <em>sabemos </em>que existimos e que somos <em>diferentes</em> de tudo o que nos cerca.&nbsp; E isso, a consciência, traz consigo uma necessidade insaciável de buscar por um sentido de vida, um significado para a vida.</p>
<p>Os seres humanos então olham para tudo o que é diferente deles, para tudo o que os cerca, e passam a dar nomes para essas coisas. As coisas passam a ter, além de nomes, <em>valores</em>. As coisas passam a ser <em>julgadas</em>, passam a ter <em>características </em>e<em> qualidades</em>. Assim, nomeando e valorizando tudo à sua volta, os seres humanos vão conferindo sentido à realidade – e às suas vidas. Eles incorporam, em suas mentes, o sentido que dão ao mundo exterior. E o principal: eles precisam fazer isso <em>juntos</em>. Só vivendo em sociedade, relacionando-se, comunicando-se, entre si, podem os seres humanos produzir o sentido à existência sem o qual não sobrevivem.</p>
<p>Assim, os seres humanos também se diferenciam entre si. Quanto mais se distinguem, mais eles dependem uns dos outros. E isso os limita. Cada um estabelece uma fronteira entre si e os outros, ao mesmo tempo em que são, todos, interdependentes. Daí surgem os conflitos. A idéia é que existir é ser limitado. É um paradoxo. Precisamos ser limitados, pela realidade, pelos outros, para existirmos, para sermos quem somos e para termos um sentido para nossa existência.<br />
<a name="top6"></a></p>
<h4><span style="color: #333333;"><strong>6. Conclusão: Unidade e Coerência entre os finais de Evangelion</strong></span></h4>
<p><strong><img class="alignnone size-full wp-image-15" title="img-01" src="http://akahon.com.br/wp-content/uploads/2010/03/ímg-01.jpg" alt="" width="430" height="215"></strong></p>
<p>Seguindo essa idéia, em <em>The End of Evangelion</em> as fronteiras entre todos os seres humanos se diluem. Os “AT Fields” (que são metáforas para as fronteiras entre as consciências de cada um) se fundem, dando origem a uma massa amorfa de liberdade total. Mas, nesse estado de liberdade total, ninguém se distingue de ninguém, e portanto ninguém existe. Não há emoções, não há significado, ou cultura. Para que não haja sofrimento, é preciso que as pessoas não se distingam e não se relacionem. Para que não exista conflito, é preciso que não existam indivíduos.</p>
<p>Assim, para <em>sentir</em> <em>algo</em>, para <em>viver</em>, para <em>ser algo</em>, Shinji escolhe, em <em>End of Evangelion</em>, sair do estado de liberdade total, voltando a distinguir-se dos demais e trazendo-os de volta à Terra. Ele buscará a felicidade em meio a suas limitações, porque para viver e para ser feliz é preciso ser limitado de alguma forma. A própria possibilidade de felicidade pressupõe a existência das condições que produzem o sofrimento (diferenciação e individualidade). Ele prefere correr o risco.</p>
<p>Ele entende isso ao final do movie e dos capítulos da série de TV. Neste momento, nós, os expectadores, somos transportados para dentro da mente do protagonista, e vemos o que ocorre dentro dela. Lá, vemos, supostamente, o sentido da existência humana. O que vemos no longa-metragem é a realização objetiva do que se passa dentro desse universo interior, é o que ocorre do lado de “fora”, no mundo externo. Neste momento, nós, os expectadores, temos um ponto de vista onipotente, vemos tudo o que ocorre objetivamente no mundo. Os dois, contudo, buscam responder às mesmas questões e a nos dizer as mesmas coisas. Ambos nos convidam, pois, a mergulhar numa odisséia em busca do sentido de nossas vidas.<a name="_ftn1"></a></p>
<p><a name="top7"></a></p>
<hr />
<h4><span style="color: #333333;"><strong>7. Sobre o autor deste artigo: </strong></span></h4>
<p>Fernando Baptista Leite (<a href="mailto:ferngutz@gmail.com">ferngutz@gmail.com</a>) é Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná e expectador de animação japonesa desde 1997.</p>
<hr /><a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota1">[1]</a> Shin Seiki Evangelion, no título original. <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota1">[voltar ao texto]</a>
</p>
<p><a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota2">[2]</a> No Brasil, <em>otakus</em>. Lembra-se, contudo, que a palavra adquire sentido pejorativo no Japão, sugerindo um comportamento obsessivo em relação a algum <em>hobby</em>. O culto ao <em>anime </em>e mangá é um dos principais tipos de <em>hobby</em> <em>otaku </em>no Japão. <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota2">[voltar ao texto]</a></p>
<p><a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota3">[3]</a> Que, aliás, apesar de muito esperado, não deixou de desagradar a muitos: em primeiro lugar, o grau de abstração permaneceu alto e, em segundo lugar, permaneceu bastante polêmico. <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota3">[voltar ao texto]</a></p>
<p><a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota4">[4]</a> As principais referências que deram corpo à dimensão simbólica de Evangelion são sem dúvida o trabalho do psicólogo alemão Sigmund Freud, a psicologia de Jung, a filosofia de Arthur Schoppenhauer, o existencialismo (Heidegger, em especial). <a href="http://akahon.com.br/neon-genesis-evangelion/#nota4">[voltar ao texto]</a></p>
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